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Reflexologia

Homens fazem reflexologia?

Fazem. São minoria aqui, e quase todos chegam da mesma forma: indicados pela esposa, pela filha, por um colega, e com uma certa cara de quem está fazendo um favor a alguém.

Boa parte volta. Vale escrever sobre isso, porque as perguntas que eles me mandam antes de marcar são quase sempre as mesmas cinco, e nenhuma delas é a que eu esperava.

Por que menos homens procuram?

Pelo que eu escuto, não é desinteresse. É uma mistura de três coisas.

A primeira é achar que não é para eles — que terapia com toque, luz baixa e uma hora deitado é coisa de outra pessoa. A segunda é não ter o hábito de tratar cansaço como algo que merece atenção: dói, aguenta, passa. A terceira, que aparece mais do que eu imaginava, é vergonha do próprio pé.

“Meu pé é feio, tem calo, isso atrapalha?”

Não atrapalha nada, e essa é de longe a pergunta que mais chega.

Eu trabalho com pés o dia inteiro. Calo, unha grossa, pele rachada, cicatriz, pé grande, pé com pelo: nada disso me causa qualquer reação, e nada disso atrapalha o trabalho. Não existe pé feio aqui dentro.

Também não precisa fazer as unhas antes, nem passar creme, nem nada. O que eu peço é só o pé limpo, e a sessão começa com escalda-pés de qualquer forma.

As duas únicas situações que mudam alguma coisa são ferida aberta e micose, e aí é por segurança, não por estética. Me avise antes e a gente resolve.

“Vou ter que tirar a roupa?”

Não. Você fica vestido, deitado e coberto, com apenas os pés descobertos.

A única coisa prática é evitar calça muito justa na batata da perna, porque eu preciso subir a barra um pouco acima do tornozelo.

Essa pergunta aparece bastante e quase sempre com rodeio. Estou respondendo aqui para você não precisar perguntar.

“E se eu tiver cócega?”

Resolve nos primeiros minutos. Cócega aparece com toque leve e imprevisível; a reflexologia usa pressão firme e sustentada, que o corpo interpreta de outra forma.

Nunca precisei interromper uma sessão por isso, e olha que já ouvi essa preocupação de gente bem convicta.

O que costuma trazer um homem até aqui?

As queixas que mais aparecem, na ordem em que eu escuto:

  • Pé que dói no fim do expediente, de quem trabalha em pé: obra, cozinha, chão de fábrica, vendas, segurança.
  • Dor no calcanhar na primeira pisada da manhã. Sobre isso tem página própria, sobre dor no calcanhar ao pisar de manhã.
  • Sono ruim, quase sempre descrito como “eu durmo, mas acordo cansado”.
  • Tensão no pescoço e no ombro, de quem passa o dia na tela ou dirigindo.
  • Indicação de alguém, sem queixa nenhuma. Esse motivo é legítimo e às vezes rende a melhor sessão.

É normal dormir na sessão?

É o mais comum que existe, e não tem nada de constrangedor.

Digo isso porque alguns homens acordam meio sem graça, como se tivessem falhado em alguma coisa. Uma hora deitado, coberto, sem celular e sem ninguém precisando de você é exatamente a receita para dormir. Se acontecer, é sinal de que funcionou.

Precisa fazer sempre?

Não. Não trabalho com pacote fechado nem com assinatura, e você marca uma sessão por vez.

Se depois de uma você achar que não é para você, ótimo: agora você sabe, e perdeu uma hora e R$ 120 descobrindo. É um teste barato.

Se gostar, o que eu costumo observar é que manutenção a cada duas ou três semanas basta para a maioria, e que quem chega com queixa antiga rende mais com um ciclo mais próximo no começo. Falei disso em quantas sessões são necessárias.