Auriculoterapia e ansiedade: o que esperar, sem promessa
É o motivo que mais aparece nas mensagens que eu recebo sobre auriculoterapia. Alguém escreve dizendo que anda ansioso, que não desliga, que dorme mal, e pergunta se as sementinhas na orelha ajudam.
Vou responder com cuidado, porque aqui é fácil prometer demais e o custo de errar recai sobre quem já está fragilizada.
Antes de tudo: o que eu não ofereço
Começo pelo limite, e não pelo benefício, porque acho que essa é a ordem certa quando o assunto é sofrimento psíquico.
Auriculoterapia não trata transtorno de ansiedade. Não substitui psicoterapia, não substitui medicação, não substitui acompanhamento psiquiátrico, e não é para ser usada no lugar de nada disso. Eu sou terapeuta integrativa, não sou médica nem psicóloga.
Se você está pensando em parar um remédio ou adiar uma consulta porque vai começar auriculoterapia, por favor não faça isso. Converse antes com quem te acompanha.
Então o que ela é?
É o estímulo de pontos do pavilhão auricular, a parte externa da orelha. Na maior parte dos casos eu uso esferas ou sementes fixadas com micropore, sem agulha.
O que costuma atrair quem anda ansioso é uma característica prática da técnica: o estímulo continua depois que você vai embora. As esferas ficam de três a cinco dias, e eu oriento pressioná-las algumas vezes ao dia. Ou seja, diferente de uma sessão que acaba na porta, ela acompanha a sua semana.
O que costuma acontecer, na prática?
O que eu escuto com mais constância é uma sensação de desacelerar — respiração mais lenta, corpo menos em alerta — e, com frequência, relato de sono melhor nas primeiras noites.
Repare que essas são descrições de como a pessoa se sente, e é assim mesmo que eu vou apresentar. Não vou traduzir isso em “reduz a ansiedade em X%”, porque seria inventar precisão que não existe. A evidência científica sobre essas práticas é limitada, e o que aparece com mais estabilidade nos estudos são justamente desfechos de relaxamento e bem-estar percebido, não tratamento de doença. Escrevi sobre isso em o que a ciência diz.
Como é a sessão?
Quarenta e cinco minutos, e a maior parte deles é conversa e leitura da orelha.
Antes de fixar qualquer coisa eu percorro o pavilhão procurando os pontos que respondem ao que você trouxe, com pressão suave. Quando encontro um ponto reativo, você costuma sentir uma pontada rápida ou um calor, que dura o tempo de um piscar. Depois vem a fixação, que a maioria nem percebe.
Se a ideia de sentir alguma coisa te preocupa, escrevi em detalhe o que se sente em auriculoterapia dói?.
Quantos dias fico com as esferas?
De três a cinco dias, em geral. Depois disso o ponto perde parte da reatividade e o estímulo rende menos.
Na primeira noite é normal ter mais consciência da orelha ao deitar de lado, e quase todo mundo se adapta em uma ou duas noites. O detalhe todo está em quantos dias devo ficar com a auriculoterapia.
Faz sentido combinar com a reflexologia?
Para quem chega com essa queixa, costuma fazer, e é a combinação mais pedida aqui.
A lógica é simples: a reflexologia trabalha uma hora de desaceleração profunda durante a sessão, e a auriculoterapia estende alguma coisa para os dias seguintes. Existe como sessão única de uma hora, por R$ 140.
Quando o caminho é outro?
Esta parte é a mais importante do texto.
Procure um profissional de saúde mental, e não uma terapia complementar, se você:
- tem crises que te impedem de trabalhar, estudar ou sair de casa;
- está com o sono destruído há semanas;
- perdeu o interesse por coisas que antes te faziam bem;
- está usando álcool ou outra substância para dar conta do dia;
- teve pensamentos de morte ou de se machucar.
Se você está em sofrimento intenso agora, ligue 188. O CVV atende de graça, 24 horas, todos os dias, também por chat em cvv.org.br.
Eu vou te dizer exatamente isso se aparecer na nossa conversa, e não vou marcar uma sessão para ocupar o lugar de um cuidado que você precisa ter. Depois, se fizer sentido, eu estou aqui, e prefiro somar ao que você já estiver fazendo.